Texto do Projeto do Banco de Recursos Educacionais

De Homepage do Departamento de Física

Conteúdo

Proposta de Projeto de Extensão / EDITAL PROEX – UFOP 1_2007

Período de Execução: 1o e 2o semestre de 2007

Título: Banco de Recursos Educacionais para professores da área de Física

INTRODUÇÃO:

No ano de 2006, a Comissão de Extensão do Departamento de Física (DEFIS) do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto iniciou um trabalho com oito escolas de Ensino Médio: seis Escolas Estaduais e dois Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs). Essas escolas situam-se nas cidades de Itabirito, Ouro Preto e Mariana, incluindo o distrito de Furquim. Os professores Carlos Joel Franco e Flávio Sandro Lays Cassino sucederam-se em um trabalho que incluiu reuniões com diretores e professores de Física das escolas. Após um levantamento de demandas apresentadas pelas escolas foi realizada uma série de reuniões onde foram apresentados e discutidos alguns recursos que poderiam ser utilizados no ensino de física. Em uma assembléia departamental realizada ao final do ano de 2006, o professor Flávio Cassino fez um relatório desse trabalho em que situava a necessidade de um envolvimento de outros professores do departamento no trabalho de assistência às escolas de ensino médio. Nessa mesma assembléia foi anunciada a entrada do professor Helder de Figueiredo e Paula na comissão de extensão, com a tarefa de cuidar das atividades de extensão do departamento voltadas para as escolas de Ensino Médio. O presente documento apresenta um projeto com uma nova abordagem para essa atividade de extensão. Redigido em colaboração com os professores que já integravam a comissão de extensão, o projeto aqui sintetizado dá continuidade ao trabalho já iniciado ao continuar o foco da ação em torno dos recursos educacionais para a Educação em Ciências. Por outro lado, ele também se diferencia desse trabalho na medida em que propõe uma ação integrada com outros departamentos do ICEB. O presente documento propõe um cronograma e um planejamento para essa ação. Em linhas gerais, sua estrutura reproduz os campos cujo preenchimento é exigido para o cadastramento de projetos de extensão na Pró-Reitoria de Extensão da UFOP (PROEX_UFOP). Algumas de suas seções, todavia, como é o caso desta introdução e de alguns anexos extrapola o modelo oferecido pela PROEX, tendo em vista que o presente documento destina-se à avaliação de possíveis parceiros externos ou de colegas de outros departamentos do ICEB_UFOP. Uma avaliação do trabalho desenvolvido em 2006 nos levou à conclusão de que era necessário priorizar as ações junto às escolas da Rede Estadual. Os CEFETs possuem uma realidade bastante diferente da apresenta nessas escolas e, de certa forma, podem ser tratados em um outro patamar. Por outro lado, a realização de visitas separadas a cada escola será substituída pela realização de reuniões centralizadas em Ouro Preto e por um trabalho de interação à distância por meio da internet. Muitas das ações aqui descritas foram diretamente concebidas para a realidade atualmente vivenciada pelas escolas estaduais que, em parte, é determinada por um conjunto de políticas públicas e diretrizes curriculares concebidas pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais. Todavia, a escolha de um foco para o trabalho a ser desenvolvido não exclui a participação de outros professores e redes de ensino. Assim, por exemplo, é importante mencionar que os professores CEFETs serão convidados a participar das reuniões e poderão também se beneficiar da principal ação a ser realizada no projeto de extensão descrito neste documento: a ampliação de recursos educacionais disponíveis para o ensino aprendizagem na área de Ciências Naturais.

RESUMO:

Este projeto propõe a construção e divulgação de um Banco de Recursos Educacionais (BRE) para Professores da área de Ciências Naturais. O BRE será constituído de diferentes tipos de acervo: 1- DVD’s obtidos mediante gravação de programas com potencial pedagógico e fichas com orientações didático-metodológicas e indicação de seus possíveis usos em sala; 2- Roteiros de Atividades; 3- Textos de divulgação científica ou destinados ao ensino de tópicos de conteúdo das ciências com reprodução autorizada para fins educacionais (domínio público); 4- Simulações e Softwares livres destinados à Educação em Ciências; 5- Equipamentos e Kits para a realização de experimentos.

JUSTIFICATIVA:

Ao defender a catalogação, produção e difusão de recursos educacionais e orientações para seu uso não estamos reeditando o tecnicismo dos anos 60 do século XX. Entretanto, adotando uma outra perspectiva, reiteramos nossa crença de que não se muda a prática pedagógica apenas no nível do discurso. Muitos recursos destinados à melhoria da educação em ciências têm sido produzidos e divulgados nos últimos anos. Todavia, nem sempre os professores têm acesso ou conhecimento da existência deste acervo. Professores das disciplinas da área de ciências da natureza costumam sofrer certa carência de espaços de interlocução com seus pares ou com especialistas nas áreas do conhecimento relacionadas às suas disciplinas. Falta-lhes, ainda, a compreensão de orientações didático-metodológicas adequadas ao uso dos recursos ou conhecimento dos fenômenos naturais que eles descrevem ou interpretam. Sendo assim, a organização de um acervo que reúne recursos divulgados em diferentes mídias e canais de comunicação, bem como a produção de mediações para que os professores efetivamente se apropriem desses recursos representa uma ação importante para a melhoria da educação em ciências em nosso país. Na condição de especialistas, nós professores universitários não podemos nos restringir a atender demandas pontuais dos docentes da educação básica. Devemos nos debruçar junto a esses docentes fazendo avançar as nossas e as suas concepções sobre: as práticas pedagógicas em curso; as diretrizes que as norteiam; as expectativas da sociedade sobre a função da escola; os fatores que limitam a qualidade da educação escolar; as políticas públicas atualmente em curso e seu impacto na educação básica e nas condições em que se realiza o trabalho docente. Precisamos ser assertivos nas ações que pretendemos desenvolver em apoio às escolas e aos professores sem, todavia, ignorar o protagonismo do professor na redefinição dos rumos de sua práxis. Por fim, é importante estabelecer parcerias não apenas com as escolas e seus professores, mas também com os órgãos responsáveis pela gestão do sistema educacional e definição de políticas públicas.

OBJETIVOS:

1. Melhorar a qualidade da educação em ciências nas escolas participantes do projeto. 2. Contribuir para o desenvolvimento Profissional dos docentes de Ensino Fundamental e Médio, bem como dos professores e técnico administrativos da UFOP envolvidos no projeto. 3. Envolver estudantes de cursos de graduação e de especialização mantidos pela UFOP de modo a propiciar oportunidades de formação, desenvolvimento profissional e participação em equipes interdisciplinares. 4. Reunir, catalogar, difundir e produzir mediações para o uso de recursos educacionais destinados à educação em ciências em parceria com o Centro de Referência Virtual (CRV) mantido pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (SEE/MG). 5. Dar acesso a um amplo conjunto de recursos educacionais destinados ao ensino de ciências para os professores das escolas com as quais estabeleceremos parcerias. 6. Adotar postura crítica, mas construtiva, na busca da realização do primeiro objetivo em consonância com as diretrizes dos projetos curriculares estabelecidos pelas políticas públicas atualmente implantadas pela SEE/MG. 7. Ampliar a proposta inicial do CRV de modo a adquirir, produzir e dar acesso a um tipo de recurso não virtual: um acervo de equipamentos básicos para realização de experimentos nas salas de aula das escolas assistidas pelo projeto. 8. Constituir junto às escolas com as quais a comissão de extensão do DEFIS iniciou um trabalho no ano de 2006, uma comunidade de professores para fazer funcionar uma área do CRV denominada STR (Sistema de Troca de Recursos entre os professores). 9. Difundir entre os professores participantes uma compreensão das ciências como atividade de investigação e interpretação criativa de fenômenos naturais ou artificiais contribuindo para que eles façam uso mais freqüente da experimentação e se disponham a praticar uma educação em ciências mais dialógica.

METODOLOGIA:

Daremos o nome genérico de objetos de ensino aprendizagem ou simplesmente objetos a todos os diferentes tipos de recursos que poderão compor o acervo do BRE. Indo além da descrição preliminar encontrada no resumo deste projeto, podemos mencionar os seguintes objetos: • roteiros de atividades; • roteiros de experimentos de laboratório com materiais de baixo custo; • applets, loops e simulações em computador; • fotografias e ilustrações; • vídeos educativos, sites educacionais; • periódicos de divulgação científica, textos didáticos e paradidáticos; • seqüências de ensino; • propostas de implementação de diretrizes curriculares; Este projeto pressupõe o uso de mediações capazes de promover entre os participantes uma compreensão mais sofisticada da diversidade de características e objetivos que podem ser atribuídos e perseguidos em atividades de ensino aprendizagem. Para esse fim, promoveremos uma adaptação do instrumento descrito por Paula (2005) que já foi usado e testado em processos de formação continuada de professores da educação básica. O instrumento resultante dessa adaptação será usado em pelo menos duas perspectivas: (a) na definição de parâmetros para indexação de objetos do BRE; (b) na avaliação da de alterações na prática pedagógica dos docentes mediante constatação de mudanças nas freqüências de características e objetivos atribuídos às atividades de ensino aprendizagem utilizadas pelos professores em sala de aula. A definição dos temas das ciências naturais cujo tratamento dará origem ao processo de seleção e avaliação de recursos de ensino disponíveis será realizada no primeiro encontro com os professores participantes do projeto. Para esse fim, levar-se-á em consideração o currículo básico comum (CBC) que compõe as políticas públicas elaboradas pela SEE/MG para as escolas da rede estadual de ensino. Para a formação de um grupo de docentes que possa trocar experiências e colaborar uns com os outros é importante a adoção de uma orientação curricular comum. Desse modo, garantir-se-á que a produção do grupo e a constituição do BRE tenham conseqüências diretas no nível da sala de aula. O acervo inicial de recursos que sustentará os trabalhos do grupo foi reunido pelo professor Helder de Figueiredo e Paula (DEFIS) desde setembro de 2006. Um banco de dados com cerca de 5 gigabytes, vários títulos em DVD e diversos outros recursos já estão disponíveis. Neste acervo - que será certamente ampliado durante a vigência do projeto descrito neste documento – ainda é preciso separar os objetos de domínio público daqueles cuja difusão merecerá análises e recursos adicionais. A reunião, catalogação e difusão dos objetos que constituirão o BRE não são as únicas nem as principais ações do projeto. Como sinalizamos anteriormente, o projeto pretende produzir mediações para o uso de recursos educacionais que contribuam para apropriação crítica desses recursos por parte dos docentes envolvidos. Duas orientações serão seguidas na produção dessas mediações. Em termos de suas características mais gerais elas se assemelharão às fichas que acompanham os objetos de aprendizagem do projeto RIVED oferecidos no site da Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação . No que diz respeito à fundamentação teórica, as mediações adotam a perspectiva de algumas teorias sócio-construtivistas da aprendizagem, em particular, as encontradas nos trabalhos de Vygotsky (1993 e 1998) e Leontiev (1978), cujas conseqüências para a sala de aula foram discutidas por autores como Mortimer e Scott (2003) ou Paula et all (2003). Faz parte das estratégias deste projeto a apresentação, avaliação e negociação de algumas orientações didático-metodológicas inspiradas nessas teorias. Entre dois encontros presenciais consecutivos cujo cronograma segue na próxima seção deste documento esperamos manter um processo de colaboração à distância com o grupo de docentes. O formato a ser adotado para esse processo segue os princípios do sistema STR que faz parte do site denominado Centro de Referência Virtual dos professores, mantido pela SEE/MG . O STR ou Sistema de Troca de Recursos entre professores é uma ferramenta que permite aos professores o desenvolvimento e compartilhamento de idéias, projetos, pesquisas, textos e outros recursos didáticos. Tal sistema já está no ar há algum tempo, mas ainda não foi efetivamente usado por nenhum grupo de professores até a presente data, conforme se verifica mediante uma consulta ao site. O modelo do STR que pretendemos adotar no projeto prevê a existência de uma intranet acessada por usuários cadastrados. Dentre os usuários destaca-se a figura do tutor que se torna responsável pela avaliação dos recursos educacionais que circulam na intranet de modo a filtrar eventuais erros conceituais ou desvios de preceitos éticos tais como a não discriminação de gênero, orientação sexual, cor da pele, etc. Faremos o cadastro dos docentes participantes do projeto nesse sistema e, na condição de proponentes do projeto, cumpriremos o papel de tutores.

LOCAL DE REALIZAÇÃO:

Sala de Seminários do Departamento de Física ou Sala 12 no "Corredor da Física" no ICEB_I, Morro do Cruzeiro.

Ferramentas pessoais